Mês: maio 2010

II Congresso de Jornalismo Cultural

Alguns pontos interessantes levantados na discussão da programação do dia 5 de maio. Ver programação.

– importância da cultura: “sem cultura não se abre os horizontes da realidade”, disse Nuria Azancot, redatora-chefe do suplemento El cultural do El Mundo.

– suplementos culturais seguram, sim, leitores (e aumenta a quantidade de leitores jovens com as novas tecnologias para o jornalismo cultural)

– função do jornalista: ensinar o público a questionar, a ter visão crítica

– cuidado, muito cuidado, com pressão do mercado

– deve-se pensar mais nas diferenças dos conteúdos para as diferentes plataformas (impresso, rádio, TV, web, revista…)

– “Estamos em uma situação de instabilidade”, disse Laura Greenhalgh, do Estadão. Instabilidade de cultura e entretenimento e instabilidade de condição de herdeiros da Rev. Industrial para a Era Digital

– Monopólio da cultura

Vladimir Safatle, professor de filosofia da USP, foi quem melhor conseguiu diferenciar cultura de entretenimento: cultura tem uma função crítica, o entretenimento submete as pessoas ao que somente dá prazer, não há crescimento. “A cultura traz a instabilidade que o entretenimento não traz”, segundo o filósofo.

– Grandes consensos:

            – todo mundo está migrando para a web, mas todos ainda estão em fase de transição, sem saber ao certo como fazer

            – jornalismo cultural atravessa outras linguagens (como a literária)

– Grande questão que ficou sem resposta: como fazer jornalismo cultural de forma crítica? Arriscam um palpite?

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Datas

Olá pessoal, tudo bem?

As datas de trabalhos para a disciplina de jornalismo literário ainda são:

Seminário de livros teóricos. 27 (turma de quinta) e 28/5 (turma de sexta)

PENA. Felipe. Jornalismo literário

LIMA. Edvaldo. Páginas ampliadas

Entrega final do perfil: até dia 17/6 (todas as turmas)

Abraço

A jornada do herói

Após um período sabático aqui no blog (duas semanas para o blog parece corresponder a quase dois anos rs), retorno para falar mais sobre A jornada do herói. Infelizmente nosso tempo é curto demais, então vamos aproveitar esse espaço.

Aos que não se lembram, essa proposta surgiu do livro de Mônica Martinez (e ainda anteriormente de alguns estudos de Edvaldo Pereira Lima) mostrado em sala de aula após a exibição de um trecho do documentário O poder do mito, de Joseph Campbell.

Resgato ainda mais algumas partes do livro de Mônica. Ela explica que os mitos possuíam uma função maior de passar alguma mensagem e fazer com que o leitor aprendesse com a história contada. Passando do mito ao jornalismo, em vez de resumir o entrevistado a nomes, idades e categorias profissionais, a ideia é humanizar o processo (“não no sentido romântico (…). A visão crítica, marca registrada dos bons profissionais da área, é imprescindível – p. 40).

Como nos mitos, em que Joseph Campbell identificou uma estrutura recorrente, a Jornada do Herói também utiliza um padrão narrativo no qual estamos habituados, segundo Mônica, a saber: a partida, a iniciação e o retorno, e não necessariamente nessa mesma ordem, mas obrigatoriamente esses momentos marcados no texto de nossos personagens reais. A partir dessa estrutura simples decorre os 12 passos propostos e explicados por Mônica, tais como o cotidiano, o chamado à aventura etc. Para cada etapa, a autora sugere uma porção de questionamentos possíveis a serem feitos pelo repórter quando este entrevistar e quiser escrever uma história de vida. São elementos às vezes muito do inconsciente do entrevistado, que ele certamente não falará se não for incitado a isso, por exemplo, uma das etapas (que é, inclusive, retomada de outros teóricos do assunto por Mônica) é “testes, aliados e inimigos”, momento em que se identificam personagens como: o mentor, guardiões, aliados, vira-casaca, inimigos, adversários e bufões, elementos que comentamos em sala de aula e que é explorado no livro de Mônica pela luz da teoria de Edvaldo Pereira Lima. Certamente, sozinho, seu entrevistado não diria quem são esses personagens em sua vida e eles podem auxiliar no entendimento de histórias de pessoas comuns e com muito a dizer.

Também gostaria de deixar um último recado: saibam ouvir, assim conseguirão bagagem para histórias de pessoas comuns e com elementos de “periodicidade, universalidade, atualidade e difusão”, próprios do jornalismo.