história de vida

A jornada do herói

Após um período sabático aqui no blog (duas semanas para o blog parece corresponder a quase dois anos rs), retorno para falar mais sobre A jornada do herói. Infelizmente nosso tempo é curto demais, então vamos aproveitar esse espaço.

Aos que não se lembram, essa proposta surgiu do livro de Mônica Martinez (e ainda anteriormente de alguns estudos de Edvaldo Pereira Lima) mostrado em sala de aula após a exibição de um trecho do documentário O poder do mito, de Joseph Campbell.

Resgato ainda mais algumas partes do livro de Mônica. Ela explica que os mitos possuíam uma função maior de passar alguma mensagem e fazer com que o leitor aprendesse com a história contada. Passando do mito ao jornalismo, em vez de resumir o entrevistado a nomes, idades e categorias profissionais, a ideia é humanizar o processo (“não no sentido romântico (…). A visão crítica, marca registrada dos bons profissionais da área, é imprescindível – p. 40).

Como nos mitos, em que Joseph Campbell identificou uma estrutura recorrente, a Jornada do Herói também utiliza um padrão narrativo no qual estamos habituados, segundo Mônica, a saber: a partida, a iniciação e o retorno, e não necessariamente nessa mesma ordem, mas obrigatoriamente esses momentos marcados no texto de nossos personagens reais. A partir dessa estrutura simples decorre os 12 passos propostos e explicados por Mônica, tais como o cotidiano, o chamado à aventura etc. Para cada etapa, a autora sugere uma porção de questionamentos possíveis a serem feitos pelo repórter quando este entrevistar e quiser escrever uma história de vida. São elementos às vezes muito do inconsciente do entrevistado, que ele certamente não falará se não for incitado a isso, por exemplo, uma das etapas (que é, inclusive, retomada de outros teóricos do assunto por Mônica) é “testes, aliados e inimigos”, momento em que se identificam personagens como: o mentor, guardiões, aliados, vira-casaca, inimigos, adversários e bufões, elementos que comentamos em sala de aula e que é explorado no livro de Mônica pela luz da teoria de Edvaldo Pereira Lima. Certamente, sozinho, seu entrevistado não diria quem são esses personagens em sua vida e eles podem auxiliar no entendimento de histórias de pessoas comuns e com muito a dizer.

Também gostaria de deixar um último recado: saibam ouvir, assim conseguirão bagagem para histórias de pessoas comuns e com elementos de “periodicidade, universalidade, atualidade e difusão”, próprios do jornalismo.

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