Mês: julho 2010

“Um rio no quintal”

Indicação da Raquel (do curso de extensão da Unicamp) é o documentário Um rio no quintal, que registra a rotina de um senhor morador de Coxim (uma cidade no meio do Pantanal sul-matogrossense). Segundo Raquel: “O objetivo é apenas mostrar a história dele como exemplo de vidas que podem ser interessantes em qualquer contexto ou lugar”. O particular pelo geral, conforme temos comentado nas aulas.

No dia 14 de agosto, o filme vai passar na TV Cultura, às 9h. Aproveitem!

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III Festival de Cinema de Paulínia traz Zuenir Ventura

Zuenir Ventura vai participar de uma palestra em Paulínia, neste domingo (dia 18). (14h30) Debate: Palestra sobre Cidadania e Cinema.

Local: Estúdio Amarelo, perto do Paulínia Shopping

Programação completa no link abaixo

http://www.culturapaulinia.com.br/festival_agenda.php

Levem o documento e cheguem com 30 minutos de antecedência

A mulher do próximo, de Gay Talese

A mulher do próximo, de Gay Talese, traz a história de vários personagens que viveram a epifania da década de 70 em uma sociedade norte-americana que convivia, ao mesmo tempo, com a moralidade de uma sociedade burguesa “liberal” e com a liberdade sexual e de expressão de uma geração que produzia contracultura.

A estrutura do livro é marcada por pormenores de situações e de personagens que “aconteciam” naquele período. O início da narrativa, toda ela marcada em terceira pessoa, mostra a utopia de um jovem de família de classe média diante de uma mulher nua na revista. Em seguida, a história do jovem fica suspensa, para contar a história da moça da revista e de como ela chegou na Playboy, de Hugh Hefner. Essa é a deixa para o capítulo seguinte, que introduz o fundador da revista erótica mais famosa de todos os tempos, o próprio Hefner. As mudanças no comportamento sexual dos norte-americanos estavam sendo anunciadas com Hefner, mas o precursor foi Samuel Roth, tema do capítulo seguinte. Roth, depois Bullaro, Barbara Cramer, Judith Palmer, Williamson e o próprio autor (que em nenhum momento se mistura com o narrador) vão aparecendo na trama. Todos partícipes de uma história da permissividade norte-americana na década de 70. Uma história nem bem termina e a outra rapidamente se inicia, fazendo com que o enredo levante novas questões e novas reflexões e novos personagens para retratar esse cenário que o narrador deseja mostrar. Dessa forma, as histórias também vão se costurando e encaminhando para o final nas mais de 460 páginas.

O esmero com o texto, o trabalho de pesquisa extremamente criticado por expor a sexualidade do autor, a documentação histórica com personagens reais, dados reais e acontecimentos reais narrados de forma minuciosa revelam um escritor nascendo de um jornalista. Trechos trazidos em sala de aula.

A intenção da obra parecia justamente revelar essa explosão sexual, a hipocrisia das famílias burguesas que buscavam controlar suas investidas sexuais, e acaba por revelar não só isso, mas também a história da Playboy, a história da comunidade de Sandstone, a história das revistas eróticas e das legislações do período para elas circularem livremente no país. Isso por si só é a história. Além dessas questões, que já renderiam boas análises jornalísticas, o mais relevante na obra é justamente os detalhes dessas histórias e como elas se misturam no enredo do narrador. Isso torna a obra literatura, afinal, são essas particularidades tomadas como gerais para explicar o contexto que fazem o livro literariamente interessante.