Mês: maio 2015

A Jornada do Herói na telona

Amigos,

Por mais prazeroso que possa ser assistir a um filme, fazer cinema não é uma tarefa simples. Não estou me referindo só às dificuldades de conquistar uma fatia do mercado cinematográfico ou aos custos elevados que fazem parte da produção, mas fazer um produto final de qualidade é um verdadeiro desafio. Centenária, a sétima arte já se consolidou e, consequentemente, criou padrões. Hoje, vamos falar de um dos mais famosos deles – a Jornada do Herói.

Podemos afirmar com total tranquilidade que a Jornada do Herói nos filmes está presente tanto nos blockbusters hollywoodianos quanto no cinema de arte. Pensando nisso, eis que surgem as dúvidas: “O cinema é a nova mitologia da humanidade?”, “A compreensão da Jornada empobrece a criatividade do roteirista?” e “Como entender os arquétipos sem reduzi-los a estereótipos?”.

As respostas para todas essas perguntas estão baseadas no fato de que a Jornada o Herói foi, é e vai continuar sendo referência para as nossas vidas. É isso mesmo. A estrutura se repete mundialmente através dos tempos porque, apesar de não ser todo mundo que vira um messias em Matrix, todos nós enfrentamos obstáculos no dia-a-dia. Aprender a dirigir, superar uma perda, conquistar um emprego novo. Todo mundo é o herói de sua própria vida.

Assim, a Jornada do Herói é nada mais nada menos do que uma convenção, um paradigma literário identificado em diversas narrativas e que tem funcionado muito bem na ficção fantástica, auxiliando muitos escritores na construção de uma trama emocionalmente, envolvente e verossímil. Os 12 passos pelos quais a Jornada se sucede foram apresentados pela primeira vez pelo autor Joseph Campbell em 1949, no livro O Herói de Mil Faces. Mas, sobre maiores detalhes, nada melhor que esses cinco minutinhos de vídeo que explicam toda a teoria e ainda estimula a usá-la para enfrentar as dificuldades da vida.

 

E se vocês são fãs de super-heróis ou a adaptação deles no cinema, como a trilogia do cavaleiro das trevas (Batman), vão gostar desse infográfico.

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Infográfico: Viver de Blog

 

E, pra terminar sem fugir do jornalismo propriamente dito, vai um exemplo de mini-documentário.

 

-> DICA DE SITE

No Homo Literatus por meio da série em vídeo A Arte de Contar Histórias por Escrito, Vilto Reis, editor do site, e o escritor Maicon Tenfen falam sobre o processo de criação de grandes escritores, o desenvolvimento de personagens e outros temas relacionados à construção de universos de ficção com palavras. É muito interessante!

 

BOA LEITURA!!! 😉

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Olha o passarinho!

Amigos,

Recentemente, jornais do mundo inteiro publicaram a notícia “World Press Photo retira prêmio de fotógrafo italiano que mentiu sobre local do ensaio”. O concurso cancelou o prêmio do italiano Giovanni Troilo depois de receber denúncias de que a série sobre a cidade belga de Charleroi continha informações enganosas. O fato é que uma das imagens do ensaio intitulado “The dark heart of Europe” (“O coração negro da Europa”), sobre a pobreza extrema em Charleroi, teria sido clicada em Bruxelas. O trabalho tinha ficado em primeiro lugar na categoria “Questões contemporâneas”.

Outros fotojornalistas também disseram que algumas imagens da série “O coração negro da Europa” foram encenadas para a câmera (Foto: Divulgação)

Outros fotojornalistas também disseram que algumas imagens da série “O coração negro da Europa” foram encenadas para a câmera (Foto: Divulgação)

Polêmicas à parte, este post é destinado ao concurso. Você já tinha ouvido falar do World Press Photo? Ele é nada mais nada menos do que o concurso de fotojornalismo de maior prestígio NO MUNDO! Fundada em 1955, a World Press Photo é uma organização sem fins lucrativos e com sede na Holanda, onde a cerimônia de entrega dos prêmios é realizada. Depois da cerimônia, os retratos vencedores são reunidos em uma exposição itinerante visitada por milhões de pessoas ao redor de 40 países. Além disso, a cada ano um livro com todos os registros premiados é publicado em seis idiomas diferentes.

Livro World Press Photo 2011 (Foto: Divulgação)

Livro World Press Photo 2011 (Foto: Divulgação)

A seleção das fotos ocorre logo no início do ano, em janeiro. A edição deste ano teve a participação de 5.692 fotógrafos de 131 países com 97.912 imagens. Os principais assuntos retratados foram: a Guerra de Gaza, os conflitos na Ucrânia, a queda do avião MH17 e a epidemia do ebola. Foram premiados 42 trabalhos inseridos em 8 categorias distintas: Questões Contemporâneas, Vida Cotidiana, Notícias Gerais, Projetos de longo prazo, Natureza, Retratos, Esportes e Ponto Notícias.

O grande prêmio da 58.ª edição do World Press Photo foi atribuído ao fotojornalista dinamarquês Mads Nissen, que captou um momento íntimo entre um casal homossexual, Jon e Alex, em São Petersburgo, na Rússia. A imagem, que faz parte do projeto fotográfico intitulado Homofobia na Rússia”, pretende combater o preconceito e a discriminação, ainda muito forte naquele país. Nissen teve a ideia do projeto depois de presenciar, na Rússia, um amigo homossexual ser atacado no momento em que se despedia do namorado com um beijo.

A grande vencedora deste ano, clicada por Mads Nissen (Foto: Divulgação)

A grande vencedora deste ano, clicada por Mads Nissen (Foto: Divulgação)

Para participar do concurso, você precisa ser fotógrafo profissional ou fotojornalista. Inclusive, isso deve ser comprovado por meio de um documento de confirmação. O fotógrafo tem de ser o autor do material fotográfico enviado, o qual precisa incluir toda a informação referente à imagem, como data, local e país de criação assim como texto descritivo. Não são aceitas imagens com molduras, fundos ou outros efeitos adicionados. A inscrição é gratuita.

 

FICOU CURIOSO, NÉ? 🙂

Quer ver e saber a história das demais fotos ganhadoras do World Press Photo 2015? Clique aqui!

 

BOA LEITURA!!! 😉

O jornalismo de guerra em HQs

Amigos,

Na última sexta-feira (24), Emerson Jambelli, ex-aluno da PUC-Campinas, voltou à faculdade para falar sobre o seu  Projeto Experimental “Duas guerras, dois livros”. Feito há dois anos, o estudo se trata de uma análise comparativa entre “O gosto da guerra”, de José Hamilton Ribeiro, e “Dias de inferno na Síria”, de Klester Cavalcanti. Mas e se, enquanto alguns escolhem o texto, a fotografia ou o vídeo para contar histórias de guerra, nós uníssemos a paixão pela profissão e pelo desenho

Imagine poder escolher entre relatos cheios de números e datas e relatos humanizados que contam a história do ponto de vista de pessoas comuns. Para completar, imagine poder contar com cenários e imagens daquela época nesses relatos humanizados. Imaginou? Pois é assim que você se sente quando está diante dos livros de Joe Sacco, jornalista que criou o chamado “jornalismo em quadrinhos”, uma outra maneira de informar.

Joe Sacco e a sua versão em HQ

Joe Sacco e a sua versão em HQ (Foto: divulgação)

Ele nasceu em Malta e vive nos EUA desde a adolescência. Sacco começou desenhando quadrinhos satíricos, mas logo percebeu que podia contar histórias de conflitos, como o que acontecia entre palestinos e israelenses no Oriente Médio. No começo, a principal barreira a ser quebrada pelo jornalista foi o preconceito dos vários editores que não encaravam com seriedade as grandes reportagens na linguagem das HQs. Hoje, a obra de Joe Sacco consegue ser mais convincente do que muita fotografia ou matéria de jornal.

(Foto: divulgação)

(Foto: divulgação)

Para Sacco, a linguagem dos quadrinhos permite que o leitor entenda todo o contexto dos acontecimentos. Inclusive, pessoas é o foco do jornalista, já que ele precisa investigá-las para que consiga dar voz os personagens afetados pela guerra. Por documentar o conflito entre Israel e Palestina e a guerra na Bósnia, Joe Sacco recebeu diversos prêmios. Entre eles estão o Prêmio Eisner e o American Book Award, pelas obras “Área de Segurança Gorazde” e “Palestina”, respectivamente.

(Foto: divulgação)

(Foto: divulgação)

Em seus livros, o autor conta a realidade, e não a ficção. Mostra vários aspectos dos lugares que visitou e retrata desde guerrilheiros até jovens que querem apenas um pouco de diversão. O próprio Joe Sacco é personagem de suas ilustrações, pois, como repórter, acredita que não pode se excluir do contexto. Ler Joe Sacco é não só uma nova experiência literária, mas também uma aula de história, ambas diferentes de qualquer coisa que você já tenha lido.

Em 2011, o jornalista veio ao Brasil e participou da Feira Literária Internacional de Paraty (Flip), no Rio de Janeiro. Assista a entrevista que ele concedeu ao SaraivaConteúdo, no “Especial FLIP” do canal no YouTube:

 

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