Mês: março 2010

O manifesto de Tom Wolfe

Para Tom Wolfe, quando fez um “manifesto ao New Journalism”, era preciso no texto:

a) sair na monotonia do olhar único do jornalista; b) entrevistar exaustivamente; c) avançar os limites convencionais do jornalismo; d) passar o máximo de tempo possível (dias, semanas, anos) com a fonte/personagem; e) procurar captar as cenas, os diálogos, os gestos, expressões faciais, detalhes do ambiente; f) descrever a vida subjetiva e emocional dos personagens (construção psicológica); g) usar fluxos de consciência e monólogos interiores; h) incorporar elementos gráficos que expressam ações, como uso de reticências, pontos de exclamações, onomotopéias; e i) não se importar com as definições dos gêneros (como crônica, artigo, folhetim, somente com o romance).

A importância dos perfis para o jornalismo

No mínimo, o perfil serve como exercício para os jornalistas treinarem a descrição de suas fontes/personagens e saber identificar o que é verdade e o que pode ser mentira nos relatos que os outros contam. Como exercício de linguagem, o perfil também vale a pena, porque é possível estabelecer um estilo autoral nos textos de perfil, estilo esse não bem-vindo nas notas/notícias factuais.

Além disso, como tema, os perfis instigam à leitura dos textos. Primeiro porque se for de pessoas famosas, o perfil tem a função de proeminência, e se não for de gente famosa, tem a função de aproximar o leitor de problemas e/ou casos que já aconteceram com pessoas comuns, e acaba mostrando um outro lado da realidade, que é o lado da luta das pessoas do dia a dia.

Quando se fala em estudos sobre o gênero, os trabalhos de Sergio Vilas Boas tornaram-se referência, por isso indico a leitura de “A arte do perfil”, publicado na revista Entrelivros em agosto de 2008.

Para entenderem mais sobre perfil leiam Fama e Anonimato (Gay Talese) e/ou O segredo de Joe Gould (Joseph Mitchell), pois são ótimos exemplos de perfis. No Brasil, tem saído perfis bem interessantes na revista Piauí. Quem puder, indique também veículos ou livros brasileiros onde possamos encontrar exemplos de perfis. A partir dessas indicações, podemos identificar formas fixas nos perfis ou indicações que nos levem a escrever bons perfis? Afinal de contas não é nada fácil…

Estratégia de comunicação

Há uns cinco dias participei de um curso bem interessante de estratégias de comunicação empresarial e uma das frases do curso que me chamou a atenção foi:

Jacobides diz que a estratégia é informar por narrativa com trama, subtrama e personagens… E faz sentido…

Façam um teste: assistam todos os telejornais que conseguirem, vejam todos os portais de notícias que conseguirem, leiam todos os jornais do dia e ouçam rádio all the time. Vocês vão constatar: 1) que as informações se repetem demais, 2) às vezes há mesmo excesso de informação, 3) há excesso de velocidade, por isso muitos fazem enumerações de acontecimentos, mas o que fica mesmo na memória… são causos que tenham sido contados a partir de uma história justamente com trama, subtrama, cenas e personagens.

Notem que o pesquisador britânico de gestão e estratégia “canta uma bola” importante para nós: quem souber contar histórias sai na frente. Dar uma história de vida, um rosto, um conto para um causo pode fazer com que as pessoas retenham mais as informações. Será? No Brasil será que se faz isso com qualidade? Gostaria de saber a opinião de vocês…