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Livro-reportagem

Reportagem é sempre reportagem… Parece um comentário tão óbvio, mas ainda me espantam algumas definições mirabolantes sobre o assunto.

Reportagem prevê uma boa pesquisa já para a pauta, um tema que permita aprofundamento do assunto, traz uma abordagem por vários pontos de vista, requer entrevistas de muitas, muitas, muitas pessoas, faz uma análise crítica sobre o assunto, dentre tantas outras características que poderíamos enumerar aqui.

Para que a reportagem migre de plataforma do jornal ou revista para o livro, é porque requer mais espaço. O que deve ou não ter mais espaço é uma questão a refletir caso a caso mesmo. Vamos analisar alguns livros, que são reportagens? Por que eles se tornaram livros? E qual a relação entre eles e a literatura?

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O manifesto de Tom Wolfe

Para Tom Wolfe, quando fez um “manifesto ao New Journalism”, era preciso no texto:

a) sair na monotonia do olhar único do jornalista; b) entrevistar exaustivamente; c) avançar os limites convencionais do jornalismo; d) passar o máximo de tempo possível (dias, semanas, anos) com a fonte/personagem; e) procurar captar as cenas, os diálogos, os gestos, expressões faciais, detalhes do ambiente; f) descrever a vida subjetiva e emocional dos personagens (construção psicológica); g) usar fluxos de consciência e monólogos interiores; h) incorporar elementos gráficos que expressam ações, como uso de reticências, pontos de exclamações, onomotopéias; e i) não se importar com as definições dos gêneros (como crônica, artigo, folhetim, somente com o romance).