Gabriel García Márquez X Crônica de uma morte à toa

Amigos,

Hoje é “Dia da Mentira” e o post tem tudo a ver com a data!

Vocês sabiam que em uma entrevista com o jornalista Daniel Samper, o famoso Gabriel García Márquez confessou já ter inventado notícia? Pois é!

Um desses episódios ocorreu em 1954, quando o jornal El Espectador enviou García Márquez para cobrir um grande protesto contra o governo em Quibdó e o jovem jornalista encontrou a cidade completamente calma.  Na verdade,  o correspondente local havia inventado fatos para a redação em Bogotá. Como García Márquez não queria voltar de mãos vazias, organizou um protesto para escrever a reportagem e tirar as fotos. Depois, a matéria foi publicada com o título História íntima de uma manifestação de 400 horas e, nela, García Marquez afirmou que o protesto durou 13 dias.

Essa é uma das principais características dos romances de García Márquez: a sua capacidade de inventar uma realidade descomedida. E isso está relacionado, em parte, com o uso da figura de linguagem hipérbole. É possível detectar exageros e invenções em diferentes etapas do jornalismo de García Marquez. Em alguns momentos, esses exageros e invenções estão presentes de uma forma abundante e aberta e, em outras, de forma dosada e velada. Este é um fenômeno que ainda é referência para muitos jornalistas e se enquadra no que chamamos de realismo mágico de García Márquez.

Para contar as histórias reunidas no livro Entretanto, foi assim que aconteceu, o jornalista do Estado de S.Paulo Christian Carvalho Cruz fez muito mais do que “colocar o pé no barro”. O jeito de falar, os gestos, os cacoetes, nada passou despercebido e tudo foi colocado no papel. Seria exagero? Muitas das histórias narradas apareceram primeiro como nota de pé de página, escondidas pelas fórmulas clássicas do jornalismo tradicional. Uma vítima de atropelamento em São Paulo, por exemplo, que poderia ser apenas mais um ponto na curva estatística, nas mãos desse repórter, se transformou na “Crônica de uma morte à toa”, texto que inclusive busca inspiração em Gabriel García Márquez.

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O escritor Gabriel García Márquez (esquerda) é fonte de inspiração para o jornalista Christian Carvalho Cruz (Foto: Divulgação)

 

Vamos analisar essa inspiração?

  • E a homenagem a Gabriel García Márquez feita pelos jornalistas da TVESTADÃO  em 17 de abr de 2014:

 

Boa leitura!!! 🙂

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1 comentário

  1. Li um texto sobre o Gabo que ressaltava uma frase dele, em relação ao realismo mágico: “é só realismo. A realidade que é mágica. Não invento nada. Não há uma linha nos meus livros que não seja realidade. Não tenho imaginação”. Daí me lembrou aquela frase que acho que é do Gay Talese de que ele não fazia jornalismo literário, fazia jornalismo (é dele mesmo? é essa frase mesmo? to viajando?). Enfim, é interessante também reler a autobiografia do García Márquez “Viver para contar”, em que dá pra ver que muito da literatura dele realmente tem origem em coisas que ele viveu, na realidade. Nela, ele fala também sobre a sua carreira de jornalista e escritor.

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