Pela última vez, Christian Carvalho Cruz.

Boa Noite, para encerrar os trabalhos no blog neste semestre, escolhemos indicar o livro “Entretanto, foi assim que aconteceu” do Christian Carvalho Cruz,  que escreve no caderno Aliás do Estado de São Paulo. O livro traz 23 reportagens de Cruz  entre perfis – de Elza Soares à Geisy Arruda – e investigações. Neste link é possível encontrar as duas primeiras reportagens do livro. Sugiro a análise da reportagem “Baile dos Descarados”.

Desde já Agradeço a todos os alunos que comentaram no Blog durante este semestre.

Obrigado pela atenção!

Ana Carolina

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4 comentários

  1. A reportagem “Baile dos escarados” traz um retrato fiel da violência no Rio de Janeiro, bem como das suas vítimas através do relato da repercussão da morte do rapaz “134/20”, encontrado em um carrinho de supermercado. Como já sabemos, numa situação dessa, as fontes não querem se identificar. Nenhum nome aparece durante a raportagem: bombeiros, policiais, funcionários do cemitério e outras pessoas são identificadas apenas pela profissão. Como “solução”, o autor utiliza um jogo de palavras e trocadilhos com a palavra “descarado” e suas variações.

  2. Achei muito criativa a solução que o repórter encontrou para escrever a matéria sem identificar nenhum dos entrevistados, como comentou a Larissa acima. Além disso, o repórter se utiliza de uma linguagem informal e quase descontraída que poderíamos dizer que proporciona uma leitura leve, não fosse pelo tema pesado que é a tamanha violência no Rio de Janeiro. É um jeito diferente de chamar a atenção para um problema já comum no nosso país, que por vezes nem causa revolta mais à população – exemplo disso a opinião da “moça da banca de jornal” descrita no texto, sobre o carrinho em que foi encontrado o morto: “voltou pra cima do morro e qualquer dia desce outra vez, com presunto novo dentro”.

  3. Como admiradora de um texto em que as palavras parecem ser pensadas como num quebra-cabeças, no qual uma se encaixa ao lado da outra, não podendo ser “talvez essa ou aquela” e sim “essa”, e que o produto final, a imagem, o entendimento, a razão para o trabalho, o tempo disposto, seja demonstrado por um suspiro de alívio, de raiva, de compreensão, enfim, um suspiro carregado de sentimento e que não tenha lugar para a apatia, confesso que esperei pelo momento certo para entrar aqui, afinal, “tenho que ler com calma, fazer um comentário legal e consistente”. Entro, então, agora, num momento não certo, sem paciência e tempo para ler com calma e muito menos com a vontade de refletir para fazer um comentário legal e consistente!
    Só posso dizer que jornalismo literário é perigoso. É preciso se envolver e saber quando se distanciar. É preciso sentir e ao mesmo tempo duvidar. É mais que preciso, é necessário, ser frio. Usar o calor como técnica e a frieza para refletir e agir.
    É preciso tempo. O tempo preciso não.
    Queria poder ter lido essa publicação, ao menos, para poder não ter um ponto final previsível… Entretanto, foi assim que aconteceu….

  4. Em Baile dos descarados Cristian Carvalho Cruz quis conversar com o leitor; porém creio que ele teve alguns acertos, poucos, mas teve. Gostei quando utilizou os números por extenso, como se fosse realmente um nome. Mostrar o “percurso do cadáver” sem identificação e como a violência se torna banal quando faz parte do cotidiano das pessoas também foi interessante. Mas acho que a linguagem informal foi exagerada e o texto extremamente opinativo onde não pudemos constatar nenhuma fonte com nome real, como aprendemos no jornalismo responsável. Entendo que seja mais fácil consentir que a fonte não quer ser revelada, mas até mesmo Caco Barcellos conseguiu dar nome aos bois em suas denúncias (comprovadas com dados!) gravíssimas do Rota 66. Ainda assim, o livro parece ser uma boa leitura, mostrando o new journalism e a parte humana por trás das notícias.

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