Respiro ameaçado

O texto de hoje traz como é a vida das mulheres afegãs.

Qais engatinha sobre o tapete, tenta ficar de pé e cai entre as almofadas. O pai sorri. É seu primeiro filho. Ele e a mulher não pretendiam pegar o menino, mas Alá só lhes mandou filhas mulheres. Com a perspectiva da volta do Taleban, quem vai cuidar da família no futuro? Abdul Halim, o pai, tem 37 anos – a expectativa de vida no Afeganistão é de 42. Ele decidiu comprar Qais por US$ 1 mil em uma maternidade de Cabul. No caso de o futuro sombrio chegar, o bebê será o protetor da família. Um filho guardião.

Boa Leitura.

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8 comentários

  1. A matéria de Adriana Carranca foi bem elaborada e escrita. Traz atualidade e imparcialidade, de modo que o leitor é quem forma suas opiniões e ideias a respeito de como é a vida de uma mulher afegã. Ao mesmo tempo, Adriana conseguiu trazer um pouco do jornalismo literário com as descrições de algumas cenas no decorrer da matéria, detalhes que fazem com que o leitor consiga absorver informações valiosas e ao mesmo tempo imaginar o sofrimento ou as conquistas dos personagens.
    Apesar de parte das mulheres daquele país conseguir mais independência hoje em dia, ainda sim, é revoltante pensar que uma mulher pode ser presa depois de ser estuprada com a justificativa de que “praticou sexo fora do casamento”, e não menos revoltante é saber que a mulher pode ser espancada caso seu marido não goste da comida que ela fez, Entre outras barbaridades.
    Em 2011, por exemplo, o retrato de uma mulher que teve o nariz e orelhas cortados após fugir de seu marido – um homem extremamente agressivo – ganhou o prêmio World Press Photo. Mas o homem responsável pela mutilação da moça está impune. Não é revoltante?
    Infelizmente os homens no Afeganistão e também em outros países, no Oriente Médio, parecem ser donos da verdade soberana. As mulheres não têm voz e essa situação só tende a piorar se o Taleban voltar a dominar aquele território, com isso, a pouca independência conquista por algumas delas acabará rapidamente.

  2. Esta publicação chamou minha atenção logo de cara. Não só pela indignação que ela me despertou como mulher, mas também porque depois de ler o romance “A cidade do sol” de Khaled Hosseini (mesmo autor de “O caçador de pipas”) passei a me sentir especialmente interessada pela realidade das mulheres afegãs. Essas mulheres são tolhidas em sua liberdade e independência, dependem do marido, pai, irmão ou filho para tomar as mais simples decisões aliás, não tomam decisões, os homens decidem por elas. As mulheres afegãs são anuladas em sua feminilidade, impedidas mesmo de serem mulheres, são massacradas e sofrem todo tipo de violência doméstica, como se fosse uma coisa normal ou aceitável. “Ele me batia na frente de todos. ‘Por que você me envergonha?’, ele gritava”, é o que narra Balkisa, personagem da matéria.
    Já faz três anos que li o romanace de Khaled Hosseini e não me esqueço da repressão e do desrespeito, da falta de condições dignas até mesmo para trazer um filho ao mundo pois no livro, assim como no texto há a descrição dessas condições precárias. “Eu reservo a anestesia para emergências”, revelou a diretora de uma das maiores maternidades de Cabul, Najila Alami, ouvida por Adriana Carranca.
    Como mulher e como alguém que se sente extremamente sensibilizada por essa triste e incerta realidade, o que desejo é que as conquistas das mulheres afegãs não sejam poucas e nem passageiras.

  3. A matéria desperta várias questões, por exemplo, como podemos permitir que aquele povo viva daquele jeito ou como podem os homens afegãos se darem ao direito de tratar as mulheres como um ser tão inferior, cumpridor de um papel na sociedade apenas? No entanto, creio que muitas afegãs se considerem de fato inferiores e não tenham vontade de lutar por seus direitos, talvez até por não conhecê-los ou não sentirem a necessidade de fazê-lo. Assim, cabe as mulheres como a artista, Shamsia Hassani, citada pela jornalista, levantar a bandeira dos direitos humanos, mais do que femininos apenas, por meio de sua arte e expressão não só em seu país, mas tambem no mundo.
    Sobre a estrutura, Adriana Carranca, usa a descrição, elemento literário, como no começo do texto, e, em alguns momentos, chega a usar a digressão para fundamentar melhor o que quer contar ao leitor.

  4. Só com o título do texto eu já fiquei intrigada. O início é muito bom, a história do bebê que foi comprado é muito boa. O texto é muito interessante e as histórias ali relatadas dariam um livro por si só porém, acho que o texto se perdeu um pouco no fim. Talvez ela poderia ter relatado melhor as algumas histórias, achei que algumas ficaram muito sussintas e o contexto histórico se embaralhou um pouco.

  5. O texto “Respiro ameaçado”, de Adriana Carranca, nos faz refletir sobre a terrível opressão e submissão que são submetidas às mulheres que vivem em Cabul, no Afeganistão. No decorrer do texto, a jornalista vai expondo relatos surpreendentes sobre mulheres que vivem sob a mira do Taleban. Um dos pontos destacados foi o fato de que muitas famílias acabam adotando filhos homens, como forma de evitar que as mulheres da casa fiquem nas mãos do Taleban, caso o homem venha a faltar. Em um dos trechos, uma mulher afirma que prefere tirar a própria vida se o Taleban voltar. A riqueza de detalhes com que a jornalista traz a situação vivida em Cabul, faz com que consigamos ter uma noção exata de como é conviver com o medo e a insegurança.

  6. O texto “Respiro Ameaçado”, de Adriana Carranca abre os olhos dos leitores para a situação revoltante que as mulheres sofrem no Afeganistão, s tanto no regime Talibã quanto no cenário pós intervenção americana. O relato da história da adoção do bebê Qais é muito interessante, mas foi através dos depoimentos das mulheres que sofreram ou sofrem algum tipo de abuso que pude perceber a gravidade da situação. É triste saber que a situação já ruim, ainda schegou a ser pior: “As conquistas das mulheres estão concentradas nas áreas urbanas, mas, de 5 milhões de crianças matriculadas nas escolas, só 1,5 milhão são meninas. No ensino médio, a proporção é de uma aluna para 20 meninos, porque elas casam muito cedo: 57% antes dos 16. Nos territórios da fronteira, que concentra os combates mais violentos, quando não são proibidas de ir à escola pela tradição o fogo cruzado as impede de chegar às aulas. Nas zonas tribais, 6,5 mil mulheres em 100 mil morrem na gestação, a pior taxa de mortalidade materna do mundo.”

  7. Assim que comecei a ler o texto fiquei me perguntando de que forma a jornalista conseguiu chegar até os personagens, acredito que escolhidos a dedo para retratar de forma imparcial o regime impositivo do Teleban, considerado pelo mundo ocidental cruel aos padrões da “normalidade”. A jornalista dá luz a uma polêmica e ao mesmo tempo consegue se manter distante, como no trecho que uma mulher pede ajuda para fugir (mesmo não contando se a ajudou). Sendo fiel aos relatos dos personagens, ela permite que o leitor tenha visão geral e sinta “na pele” as situações desumanas que essas mulheres enfrentam. Quanto aos critérios literários estão presentes a construção cena a cena e digressão (a reportagem começa com o relato do menino adotado, faz uma pausa para retratar o regime e no fim volta a para a história inicial). No caso, há presença da jornada do herói, onde as mulheres são as heroínas já que precisam lutar todos os dias para ter o mínimo de dignidade e o regime é o grande vilão as ameaçando e as impedindo de seguir a jornada.

  8. A reportagem “Respiro ameaçado” da Adriana Carranca retrata a situação das mulheres afegãs, hoje, após a queda do taleban e a ameaça da volta desse mesmo grupo. Esse é um texto literário. O primeiro parágrafo é extremamente descritivo e, dá a impressão que a jornalista fez uma imersão com os personagens. A matéria aborda graves problemas do Afeganistão atual, como a venda de recém-nascidos (do sexo masculino), em alguns lugares do país bebes podem ser comprados por mil dólares. Isso ocorre porque no regime do Taleban o homem é o protetor da família e as mulheres são vistas como objetos.

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