Personagens

Um texto cheio de personagens. Muitas histórias para serem contadas. Nada melhor do que uma leitura empolgante para o dia de hoje.  O texto publicado na revista Piauí desde mês, foi escrito pela Daniela Pinheiro e nos traz histórias de tirar o fôlego.

Passava das nove de uma noite de fevereiro quando o carro oficial parou em frente ao elevador na garagem de um prédio residencial na Asa Sul de Brasília. Um segurança armado, de colete à prova de balas, surgiu e pegou envelopes, pastas e papéis das mãos do motorista e abriu a porta. A ministra Eliana Calmon Alves, corregedora nacional de Justiça, atendia a uma ligação no celular. “Gilmar, meu querido! Sim, estou superaliviada. Fiquei vendo o julgamento pela tevê, sozinha em casa, numa angústia louca. Graças a Deus acabou”, disse ela com uma voz aguda que reverberou pelo subsolo. “Vocês foram fantásticos! E a Rosa Weber, hein? Estou gostando de ver!”

Boa Leitura!

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13 comentários

  1. Texto longo, característico da revista Piauí, mas ao mesmo tempo é possível conhecer boa parte da história de Eliana Calmon, assim como sua família devido a tantos detalhes.Talvez se o perfil dela viesse parágrafos antes, poderia ter dado um aspecto diferente aos primeiros parágrafos. Quando a jornalista relata as características da fala de Eliana é possível vê-la em minha frente, de tanta riqueza: “Eliana Calmon usava sapatilha amarela, calça marrom, blazer estampado colorido e um vistoso colar com três peixes dourados pendurados como em um anzol, do joalheiro baiano Carlos Rodeiro. Havia trabalhado doze horas, mas o cabelo estava impecavelmente escovado e a maquiagem ainda lhe enfeitava a face. Apenas o descascado do esmalte vermelho denotava o pouco tempo para se dedicar a si mesma.” Através dos parágrafos descritivos é possível conhecer a Eliana, desde sua trajetória profissional como sua aparência e características marcantes.

  2. Os textos da Piauí são fantásticos justamente por essa riqueza de detalhes e por utilizarem o jornalismo literário como ninguém. As matérias da revista prendem a atenção dos leitores que não conseguem parar de ler até terminarem, independente se o texto for grande ou não, lembrando que uma das características da revista é o estilo mais extenso.
    A corregedora Eliana Calmon é descrita de forma bastante completa, com o máximo de informações, que nos permite ter a verdadeira imagem da Eliana e como ela também deve ser psicologicamente. São em textos assim que conseguimos ter a noção dos ambientes em que os personagens estão, quais roupas vestem e outros detalhes.

  3. No começo do texto já da para se colocar no lugar da personagem, sentir os sentimentos dela.
    Logo depois percebo como a autora do texto fez o uso dos objetos do estilo de se vestir e de como é o apartamento da ministra, até o que ela come e bebe, entre tudo isso não é deixado de lado sua emoção, essa sempre presente no começo do texto.
    Logo após no oitavo paragráfo podemos observar uma linha mais explicativa com detalhes não tanto literários quais foram trabalhados o “quando”, o “por que”e o “onde” perguntas essas que no jornalismo pirâmide invertida se encontrariam no início da matéria e não no meio. Mas isso não fez com que o texto perdesse um raciocínio mas sim prendesse o leitor a querer saber mais e a história dessa mulher o que continuou a fazer mais adiante entre informações dela e do caso.
    Bonito achei o ultimo parágrafo o qual à descreve como uma pessoa normal que empilha pratos e talheres e os deposita na pia, passa plástico filme nas tigelas de comida e as guarda na geladeira, lado humano e sensível que estamos lendo e de certa forma presenciando de uma ministra, jurista brasileira.

  4. Quando você já acredita que o texto quer enaltecer a Ministra, eis que a repórter inclui este parágrafo: “há quem veja com ironia o fato de a magistrada mais empenhada em levantar publicamente a bandeira da moralização do Judiciário ter como padrinhos figuras identificadas com a política do mandonismo”. Na minha interpretação, fica claro que esta é a opinião da repórter, mas mesmo assim ela consegue incluir o comentário de maneira sutil.
    Outro ponto interessante do texto é quando Eliana pede para não ser exposta e a repórter conta, nos mínimos detalhes, a vida pessoal da Ministra: a preferência pelas roupas, suas medidas corporais, por querer ser reconhecida nacionalmente e, principalmente, por não cuidar das unhas deixando seu esmalte “pela metade” – recurso que a professora Cyntia já comentou em sala de aula e que, de fato, fica bem interessante no texto.

  5. Bacana abrir os bastidores do Magistrado por meio de uma personagem no “olho do furacão”. Inclusive, acredito que, apesar do texto ter explorado detalhes íntimos de Eliana Calmon, parte de sua privacidade foi preservada: na matéria impressa na Piauí, há apenas uma fotografia.
    Nela, podemos ver Eliana diante de uma fileira de santos, em uma prateleira da sala de estar.
    Mas, claro, o que foi escondido do fotógrafo não escapou aos olhos da repórter, como na passagem “Alta (1,70 metro), com pés que considera “enormes e largos” (calça 39), desde bem jovem ela luta contra a balança. (…) Ano passado, perdeu dezoito quilos numa dieta de proteínas do meedico argentino Máximo Ravenna. A ansiedade derivada da crise no CNJ trouxe muitos deles de volta”.
    Nesse ponto vemos uma Eliana Calmon humanizada, distante do papel duro que assume no dia-a-dia (um jornalismo narrativo e, por ora, de quase “ficção”).
    Outra questão interessante é o tempo que a repórter teve para conversar com a ministra. Logo no início do texto, escrito de forma linear com pontos de contexto, o horário da entrevista é dado: “Passava das nove da noite de fevereiro quando o carro parou em frente ao elevador (…). O fim, também é colocado no último parágrafo da reportagem: “Era quase meia-noite e ela estava cansada”

  6. Os textos da revista Piauí são sempre muito densos e informativos. A descrição de mínimos detalhes faz com que o leitor consiga imaginar examente o que aconteceu duarante a entrevista, ou durante o episódio relatado.Para falar sobre Eliana Calmon não foi diferente. Uma reportagem rica em detalhes que faz com que as partes mais relevantes da vida da corregedora sejam conhecidas.Especialmente sua carreira e alguns episódios profissionais.
    Aparentemente ela é uma exceção entre colegas de trabalho e políticos em geral, justamente por defender a verdade acima de tudo, quando a maior parte deles vai pelo caminho contrário: corrupção, favores à conhecidos e familiares, entre outros episódios nada transparentes.
    Minha única observação negativa sobre a reportagem é que pela riqueza de personagens citados no desenvolvimento do texto, seria mais fácil de compreender alguns acontecimentos da vida de Eliana se tivessem sido pontuados no início, por exemplo seu casamento e a apresentação de seu pai, e então seu desenvolvimento profissional poderia ser contado sem interrupções, depois, no desenvolvimento e conclusão.

  7. O texto escrito por Daniela Pinheiro é, realmente, de tirar o fôlego. A riqueza de descrição ajuda o leitor a se aproximar de Eliana Calmon. É possível criar certa intimidade com ela, mesmo sem saber detalhes de sua vida pessoal. O lado profissional e de mulher forte também é bastante valorizado no texto. Mesclando informações importantes com muita descrição, o texto se torna mais atraente. Uma coisa que me chamou atenção, é em relação aos telefonemas que interrompem a entrevista e que mesmo assim ajudam a torná-la mais dinâmica, como pode ser notado neste trecho: “Mais uma vez, o telefone interrompeu a entrevista. Era uma chamada do Palácio do Planalto. Em um tom formal, logo depois das reverências de praxe, elogiou um candidato à próxima vaga no Superior Tribunal de Justiça. Defendeu seu ponto de vista afirmando que “a função no STJ pressupõe força física” e, portanto, “alguém jovem, com sangue novo”. Sem mais, despediu-se com um misto de animação e cortesia. Quis saber qual tinha sido o momento mais tenso de todo o processo”.

  8. Só de ler o título e o primeiro parágrafo já é possível notar o jornalismo literário, bem característico da Revista Piauí. O texto longo e a modalidade permitem descrever fielmente as características de Eliana Calmon, assim como suas ações profissionais e pessoais. O leitor passa a conhecer detalhes da rotina da entrevistada, como é mostrado no seguinte trecho: “Anda na esteira todos os dias pela manhã e consome potes de salada de frutas para manter a forma, mas tem dificuldade de resistir a doces”. Percebe-se também que a jornalista Daniela Pinheiro ficou atenta às movimentações de Eliana durante a entrevista, quando descreve “com a ajuda de uma faca, Eliana Calmon equilibrava a comida sobre o garfo em montinhos arredondados. Mais uma vez, o telefone interrompeu a entrevista”. Escrita dessa forma, a reportagem prende a atenção do leitor, porém, em minha opinião, não haveria necessidade da jornalista descrever certas peculiaridades de Eliana, como por exemplo, “por insistência da irmã, aceitou tomar duas picadas de botox na glabela para sumir com o “V” que lhe marcava a expressão”.

  9. Eu já tenho uma opinião direfente da maioria. Ainda estranho – sim, ainda – textos jornalísticos que se utilizam de recursos literários. Demorei a encontrar uma informação que me fizesse querer continuar a leitura. Felizmente encontrei, mas ainda assim o texto segue numa senóide que os outros textos aqui apresentados não tinham, tornando-o cansativo. Apesar disso, a riqueza de detalhes que o texto apresenta me permitiu estar no mesmo ambiente que Eliana Calmon, claro objetivo da extensa descrição.Essa forma de humanização tão presente na literatura (que o diga Gabriel Garcia Márquez) faz sim muita falta ao jornalismo, inclusive em reportagens de várias revistas que deveriam utilizá-lo, desde que sejam pertinentes ao que tem que ser contado. “Eliana Calmon é mercurial e superlativa. Fala alto, com um sotaque baiano que a faz parecer ainda mais ruidosa. Ao explicar algo sério, fecha as pálpebras e levanta as sobrancelhas para concluir frases de efeito.” Este trecho mostra o poder de observação da repórter Daniela Pinheiro e este trecho, não exito em afirmar, me passa muito mais informações do que um relato ou uma aspas que o jornal impresso poderia utilizar. Neste aspecto o jornalismo literário vale a pena.

  10. Eu já tenho uma opinião diferente da maioria. Ainda estranho – sim, ainda – textos jornalísticos que se utilizam de recursos literários. Demorei a encontrar uma informação que me fizesse querer continuar a leitura. Felizmente encontrei, mas ainda assim o texto segue numa senóide que os outros textos aqui apresentados não tinham, tornando-o cansativo. Apesar disso, a riqueza de detalhes que o texto apresenta me permitiu estar no mesmo ambiente que Eliana Calmon, claro objetivo da extensa descrição.Essa forma de humanização tão presente na literatura (que o diga Gabriel Garcia Márquez) faz sim muita falta ao jornalismo, inclusive em reportagens de várias revistas que deveriam utilizá-lo, desde que sejam pertinentes ao que tem que ser contado. “Eliana Calmon é mercurial e superlativa. Fala alto, com um sotaque baiano que a faz parecer ainda mais ruidosa. Ao explicar algo sério, fecha as pálpebras e levanta as sobrancelhas para concluir frases de efeito.” Este trecho mostra o poder de observação da repórter Daniela Pinheiro e este trecho, não hesito em afirmar, me passa muito mais informações do que um relato ou uma aspas que o jornal impresso poderia utilizar. Neste aspecto o jornalismo literário vale a pena.

  11. As matérias densas são uma característica da Revista Piauí que foi feliz em fazer um perfil de Eliana Calmon, conhecida por sua vontade de “detonar” as figuras públicas que vivem à margem da lei. A jornalista conseguiu mostrar a intimidade da magistrada observando cada detalhe não só dela como do ambiente, atitude que um jornalista que não tem esse olhar apurado poderia não registrar (“unhas vermelhas descascadas”, roupas coloridas). Achei interessante o fato da jornalista ter mesclado o perfil da entrevistada com a polêmica do CNJ, “justificando” as atitudes dela com depoimentos de personagens relacionados ao caso. Isso de certa forma, acabou “apimentando” o texto que revelou certas inimizades. A figura dela como mãe poderia ter sido mais explorada se o filho tivesse concedido a entrevista. Fiquei curiosa para saber mais detalhes sobre a educação dada a ele, por exemplo. A repórter pecou quando disse “há quem veja com ironia o fato de a magistrada mais empenhada em levantar publicamente a bandeira da moralização do Judiciário ter como padrinhos figuras identificadas com a política do mandonismo”, fica evidente que essa é a opinião da repórter, o que empobrece o texto. Já no final, a jornalista mostra a popularidade que Eliana tem nas redes sociais e com uma boa sacada, finaliza o texto com um frase marcante da magistrada que diz não querem “firula”. Um texto “humanizado” muito bem feito.

  12. Confesso que fiquei tão envolvida com o texto “Acossados” da Consuelo Dieguez dessa edição da Piauí que nem cheguei a ler a matéria sobre a ministra.
    Como sempre, fazendo uma descrição fantástica o texto da revista envolve o leitor da primeira até a última linha, sem perder o tom jornalístico. Nós conseguimos entrar nos ambientes descritos através das palavras da jornalista e imaginar cada detalhe da cozinha da ministra, por exemplo, além de nos sentirmos mais próximos de Eliane Calmon nas descrições dos pequenos detalhes como: “Ao explicar algo sério, fecha as pálpebras e levanta as sobrancelhas para concluir frases de efeito”.
    Quando li a descrição sobre o esmalte da ministra imediatamente lembrei da professora Cyntia comentando sobre isso em sala de aula, como o pequeno detalhe de um esmalte pode dizer tanto sobre uma pessoa.

    Apesar de sempre ler e gostar de textos de jornalismo literário, agora, com a necessidade de analisá-los mais criteriosamente percebi que a maioria deles segue a mesma receita de formatação, começa com a literatura mais presente, depois mostra os dados jornalísticos e toda apuração e termina voltando ao tom mais literário.

  13. Ótimo texto de Daniela Pinheiro pela revista Piaui, que tem como principais caracteristicas a forma longa e bastante detalista de escrever um texto jornalisco (no caso literário). A reporter aborda o fato do STF conseguir por seis a cinco derrubar a liminar que impedia o CNJ de investigar juizes , desembargadores e tribunais suspeitos de corrupção.
    No texto, a reporter descreve, com muitos detalhes, o dia-a-dia da ministra Eliana Calmon Alves, mostrando a sensação real da rotina diária da ministra, e em certos pontos a jornalista acaba deixando a sua opinião de forma bastante cautelosa.

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