Um velho conhecido

No post de hoje, temos um velho conhecido daqui do blog, o jornalista Christian Carvalho Cruz, do Estado de São Paulo.  Nesta matéria ele comenta sobre Bala de Borracha.

“No mês passado, durante a greve da PM em Salvador, levei um tiro de bala de borracha na cara. O soldado do Exército que disparou estava a 2 metros de mim. A força da pancada me jogou no chão, de onde levantei humilhado e com o rosto inchado, esfolado. A dor, que não é imediata, beira o insuportável nas horas seguintes. Ainda tomo analgésicos e não consigo abrir a boca completamente”

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14 comentários

  1. Achei o lead instigante. Fiquei tentando imaginar as características do amigo machucado e querendo saber mais detalhes do ocorrido. Entretanto, fiquei em dúvida quanto ao caráter literário do texto. O motivo pode ter sido a predominância de fontes e dados. Se o objetivo do texto fosse ser propriamente literário, o jornalista deveria ter explorado mais os casos dos personagens e fazendo deles o elemento principal do texto. Uma estratégia usada foi contar os casos sem utilizar aspas, o que tornou o texto mais pessoal. Confesso que no primeiro depoimento, achei que quem tinha levado um tiro de borracha no rosto era o próprio jornalista. Isso causou uma “aproximação”. O jornalista em alguns momentos coloca sua “impressão” sobre o assunto e na também na última frase, recupera o velho amigo e tira uma conclusão, o que no jornalismo diário não costuma (ou melhor, não é) usado. Outra coisa que me chamou a atenção foi o uso de palavras como “banha” e “bunda”. Acredito que foi uma forma de deixar o relato mais “real” possível. A matéria de uma forma geral, na minha opinião, mostra que mesmo no jornalismo diário é possível “humanizar” o texto fazendo uso de elementos literários.

  2. O texto no geral consegue prender a atenção do leitor. É uma leitura simples, informativa e humana.
    Christian Carvalho permite, através de descrições minuciosas, a construção de situações ao longo dos parágrafos. Não imaginei que o uso de balas de borracha de forma abusiva era tão comum. Fiquei impressionada ao ler que, somente nos dois primeiros meses desse ano, na redação do jornal O Estado de S. Paulo foram 56 notícias relacionadas ao assunto, direta ou indiretamente. São vidas em risco por motivos muitas vezes banais, injustos e sem nenhuma explicação. Profissionais, estudantes, enfim, pessoas comuns atingidas sem chance de se protegerem e que na realidade não ameaçavam a vida de ninguém. Foram surpreendidas, foram acertadas por engano.
    A descrição da estudante Roberta Costa foi a que mais me fez pensar sobre a atuação da polícia na sociedade atual em que vivemos. Alguns policiais, sem nenhuma noção de ética e autocontrole, sujam o nome de corporações inteiras com atitudes condenáveis e dignas de punição, mas acredito que o erro não esteja só no comportamento desses homens que se sentem donos do mundo quando impunham uma arma. Existe um conjunto de ações que precisam ser colocadas em prática em nosso país para que problemas como esses diminuam, e pessoas honestas e descentes não sejam feridas física e moralmente, sem nenhuma explicação.

  3. O texto no geral consegue prender a atenção do leitor. É uma leitura simples, informativa e humana.
    Christian Carvalho permite, através de descrições minuciosas, a construção de situações ao longo dos parágrafos. Não imaginei que o uso de balas de borracha de forma abusiva era tão comum. Fiquei impressionada ao ler que, somente nos dois primeiros meses desse ano, na redação do jornal O Estado de S. Paulo foram 56 notícias relacionadas ao assunto, direta ou indiretamente. São vidas em risco por motivos muitas vezes banais e outras vezes, injustos e sem nenhuma explicação. Profissionais, estudantes, enfim, pessoas comuns atingidas sem chance de se protegerem e que na realidade não ameaçavam a vida de ninguém. Foram surpreendidas, foram acertadas por engano ou descaso.

    A descrição da estudante Roberta Costa foi a que mais me fez pensar sobre a atuação da polícia na sociedade atual em que vivemos. Alguns policiais,sem noção de ética e autocontrole, sujam o nome de corporações inteiras com atitudes condenáveis e dignas de punição, mas acredito que o erro não esteja só no comportamento desses homens que se sentem donos do mundo quando impunham uma arma. Existe um conjunto de ações que precisam ser colocadas em prática em nosso país para que problemas como esse diminuam, e pessoas honestas e descentes não sejam feridas física e moralmente, sem nenhuma explicação.

  4. O início do texto é algo surpreendente. Após ler uma linha fina dizendo sobre a bala de borracha, a última coisa que se espera ler é o caso do menino gordinho, até que você é ambientado novamente ao assunto.
    O texto está muito completo com a variação das fontes. Ele ouviu todos os lados possíveis, apesar de defender claramente apenas um, procurou desde policiais até professores e psicólogos. Inclusive achei brilhante a resposta que ele encontrou sobre a força com que uma bala de borracha atinge seu alvo.
    A forma com que ele colocou os personagens achei muito criativa, embora um pouco confusa no primeiro caso, até você se ambientar.
    Por fim, não tenho dúvidas quanto ao jornalismo literário presente no texto, o início já diz tudo.

  5. É realmente um texto instigante, que prende o leitor. Num primeiro momento eu apontaria o modo como são colocados os depoimentos de vítimas das balas de borracha como um problema para a compreensão do texto, pois também tive dificuldade em saber, no início, se o próprio jornalista é que tinha levado um tiro no rosto. Mas a maneira como são intercalados dados e depoimentos leva o leitor a conitnuar a leitura, e logo a confusão (entre jornalista e personagem) se desfaz.
    Acredito que o uso de palavras menos formais sirva para aproximar ainda mais o leitor da situação, que normalmente é ignorada em matérias nas quais o foco é sempre outro. “A polícia disparou balas de borracha” é uma frase muito usada em matérias sobre manifestações das mais diversas e acaba por passar despercebida, já que a manifestação envolve muitas outras coisas.

  6. Raquel de Melo

    Confesso que o primeiro parágrafo prendeu minha curiosidade mais do que o título e a linha fina. A descrição melancólica e, ao mesmo tempo, engraçada sobre uma parte de sua vida na escola e o desfecho para que as informações se cruzassem – no caso quando o amigo estava ‘mais lento que o habitual’ até as ‘borrachadas’ levadas num jogo do Corinthias (as balas de borracha). Cristian Carvalho não deixou de lado o recurso essencial do jornalismo factual – a fonte – para construir um texto literário. E a ousadia no momento dos depoimentos que, a princípio, parecem que é o próprio autor quem está contando o episódio pela ausência do travessão. Descobri que era uma terceira pessoa nos finais dos depoimentos em que é identificada a vítima (no caso, das balas de borracha).
    Ao mesmo tempo que Cristian constrói um texto jornalístico sobre a ineficiência e a periculosidade das armas não-letais ele constrói uma dissertação mais emotiva e até mesmo social sobre o tema. Sentimento, clareza da ‘dor’ de quem já tomou uma ‘borrachada’ e o deboche policial sobre a utilização desse material como meio de coibição da violência.
    Para mim, um texto de reflexão muito bem construído.

  7. O texto é muito bom, como já citado pelas meninas instigante. Mas que maravilhoso recurso, como contar essas histórias num noticário comum? A literatura, ou melhor relembrando sempre o mandamento maior do roteristas: “A história é Rei” dão força para o Christian Carvalho Cruz constextualizar e expor toda a discussão em torno da velha e nova “borachada”. O que eu mais gostei é da experiência pessoal, quantas vezes a voz dele se interlaça e confunde com a dos personagens.
    E olha agora entrando na discussão. Café no bule existe um grande exagero, as poucas greves e movimentos sociais na minha humildíssima opinião não estão sabendo chamar a atenção sem incomodar a organização social, muito menos introduzir a essência das grandes discussões. E a polícia e a classe política exagera não sabe lidar nem resolver. Influenciado pela entrevista do filósofo Político Michal Sandel, autor de ‘Justiça’, falta-nos DEVER CÍVICO

  8. É um texto que prende atenção e dá vontade de procurar casos de balas de borracha na internet, por mais que o autor tenha exemplificado as situações das personagens. É bastante descritivo e é possível imaginar as cenas dos confrontos entre polícia e população. Um ponto que eu achei realmente interessante foi o depoimento da estudante no 6º parágrafo, dizendo que agora ela está mais esperta em relação aos nomes dos policiais nos uniformes. Ele deu um tom mais covarde para as autoridades que ficam escondidas atrás de uma arma, o que pra mim era a intenção do autor como ele mesmo comentou no começo do texto com o colega de sala. A história vivida por ele com os casos das balas de borracha também dá uma aproximação com o leitor, o que nos dá a entender que ele não buscou apenas personagens, mas ele sabe muito bem do que está falando. Para finalizar, a comparação do tiro de bala de borracha com o soco do Myke Tyson é fundamental, pois pode nos dar uma dimensão melhor do estrago que um tiro de arma “não letal” pode fazer a um ser humano.

  9. O Jornalista Christian Carvalho Cruz traz em seu texto uma situação não tão conhecida das pessoas, de que a bala de borracha pode ser fatal em alguns casos. Aparentemente, a bala de borracha deveria servir apenas para assustar as pessoas em manifestações ou situações que fogem do controle da polícia, mas Cruz mostra que na prática isso não acontece e se a distância for pouca, a bala pode causar ferimentos graves ou que levem a vítima a óbito.
    Para prender a atenção dos leitores, o jornalista usa o estilo literário em seu texto, fazendo com que quem lê a matéria fique preso a leitura, que é rica em detalhes, como por exemplo, quando mostra a gravidade dos ferimentos de quem foi atingido pela bala de borracha.

  10. O jornalista Christian Carvalho Cruz traz em seu texto um assunto não tão conhecido das pessoas, o fato de que a bala de borracha pode ser fatal e não apenas utilizada para assustar manifestantes em confrontos com a polícia. Um assunto de extrema importância, já que a uma pequena distância, a bala pode causar graves ferimentos ou levar a vítima a óbito.
    Com a técnica literária, o jornalista deu ao texto relevância e mostrou em detalhes o quanto a bala de borracha pode ser perigosa se usada por policiais despreparados. Cruz retrata os ferimentos tão bem que podemos imaginar a força e pressão que a bala tem quando disparada perto de um indíviduo.
    A técnica literária faz com que o texto ou matéria não fique monótona e prenda a atenção de quem está lendo.

  11. Se eu não meu engano nos anos 80 meu primo tinha uma arma com essas munições de plástico, pra mim era de brincadeira.
    Foi uma informação válida em todos os sentidos, para os manifestantes, para a sociedade, para os policiais que não sei se vão chegar a ler…
    Texto bem escrito prende o leitor, boa escolha a de usar o personagem que é retratado ao meu ver como mais um sofredor de “bullying” desde o tempo da escola e por conhecidencia ou fato “comum” levou esses tiros com esse tipo de arma, não só ele como tantos.
    Texto pega diversos personagens dá enfoque a várias histórias, a dor, a agônia, a opressão e nos faz ler, nos faz entender esse mundo que é próximo e a abrangência que está tomando é válida a informação a qual foi muito bem passada e muito bem recebida e prazeirosa de ler.

  12. Achei bem interessante a forma como o jornalista começa o texto, contando uma experiência dele com o amigo na escola, faz você imaginar a cena dos dois correndo e depois do amigo machucado.
    Outra coisa que chama a atenção no texto são os depoimentos. No começo eu achei que aquela experiência relatada, do personagem que levou um tiro de bala de borracha, era do próprio jornalista, mas então no final do depoimento você percebe que não. Isso me confundiu um pouco, mas ao longo do texto a confusão se desfaz.
    No geral achei o texto bem construído, realmente prede o leitor. Você começa a ler e quer chegar até o final pra ver quais informações ele tem pra te dar. A forma como ele intercala as informações com os depoimentos deixa o texto muito mais interessante, não fica um texto só com informações e nada mais.

  13. Dos textos postado no blog esse mês, esse foi sem dúvida o meu favorito. Esse não é tipo de assunto que eu costumo ler, porém assim que comecei não consegui mais parar. Primeiro, porque ele começa com uma experiência pessoal, o que ajuda a criar uma empatia do leitor com relação a ele. Eu acredito que o uso de palavras menos formais também ajuda aproximar ainda mais o leitor da situação. Adorei a forma como ele colocou os depoimentos das fontes, deixou o texto bem descritivo, e foi possível imaginar as cenas e os ferimentos (não fazia idéia do ferimento que uma bala de borracha pode causar). E também achei fantástico quando ele comparou o tiro de uma bala de borracha com um soco do Myke Tyson para exemplificar a força com que a bala atinge o alvo.

  14. O lide chama a atenção logo na primeira linha, o uso de linguagem coloquial para descrever as características físicas do amigo e o fato de o autor ser um personagem da matéria aproximam o texto do leitor. No decorrer da matéria ele usa muitos dados numéricos para contar a história e explicar os problemas causados pela bala de borracha, isso poderia deixar o texto pesado, mas ele conseguiu usar exemplos e fazer comparações que levam o leitor a entender melhor todos aqueles números.

    Além de toda informação que tomamos conhecimento com essa leitura também nos aproximamos mais do tema quando lemos os depoimentos das pessoas, que são narrados de uma forma tão realista e são tão bem descritos que nos fazem sentir junto com eles a dor dos ferimentos causados pela bala de borracha.

    O autor encerra o texto de forma brilhante, voltando a mencionar o amigo que foi citado no primeiro parágrafo, amarrando toda a narrativa.

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