Estratégia de comunicação

Há uns cinco dias participei de um curso bem interessante de estratégias de comunicação empresarial e uma das frases do curso que me chamou a atenção foi:

Jacobides diz que a estratégia é informar por narrativa com trama, subtrama e personagens… E faz sentido…

Façam um teste: assistam todos os telejornais que conseguirem, vejam todos os portais de notícias que conseguirem, leiam todos os jornais do dia e ouçam rádio all the time. Vocês vão constatar: 1) que as informações se repetem demais, 2) às vezes há mesmo excesso de informação, 3) há excesso de velocidade, por isso muitos fazem enumerações de acontecimentos, mas o que fica mesmo na memória… são causos que tenham sido contados a partir de uma história justamente com trama, subtrama, cenas e personagens.

Notem que o pesquisador britânico de gestão e estratégia “canta uma bola” importante para nós: quem souber contar histórias sai na frente. Dar uma história de vida, um rosto, um conto para um causo pode fazer com que as pessoas retenham mais as informações. Será? No Brasil será que se faz isso com qualidade? Gostaria de saber a opinião de vocês…

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4 comentários

  1. Tem toda razão!

    Enredo e trama são características de textos literários que foram “suprimidas” (ou ao menos evitadas) por técnicas jornalísticas quase matemáticas, como a famosa pirâmide invertida.

    Mas perceba: não é que deixaram de existir. Enredo e trama continuam lá. São características ORGÂNICAS de todo texto, seja ele jornalístico ou literário. Em outras palavras: não existe texto sem enredo ou trama.

    Uma notícia sobre política, por exemplo: nela tem personagens, espaço físico e temporal, ações, ápice, desfecho (que se desenvolve talvez não em uma única edição do jornal, mas ao longo das edições, como num folhetim).

    O caso do Mensalão do DEM:
    – personagens: Arruda e seus comparsas;
    – espaço físico: DF;
    – espaço temporal: 2010 – prévia das eleições presidenciais;
    – ação: roubo, corrupção, injustiça;
    – ápice: prisão do Governador;
    – desfecho: em desenvolvimento.

    Essa história toda vem sendo narrada por inúmeros “autores” em diversos meios, ao vivo, enquanto os personagens vivem suas vidas. Cada jornalista que dá uma notícia acrescenta um ponto na história, que assim vai evoluindo até chegar ao seu desfecho (que, como na vida real, nem sempre é o que se espera da literatura).

    Prova disso é que não é incomum colunistas/articulistas de jornais impressos e da TV lançarem livros consolidando “capítulos” de histórias publicadas edição após edição.

    Assim, entendo que jornalismo literário nada mais é do narrar assumindo a organicidade de enredo e trama. É narrar sem tomar partido mas expondo detalhes “subjetivos” que ajudam a compor os personagens, o ambiente, a ação.

    Bem, encerro por aqui: vida longa ao blog!

    JC

  2. Concordo Cyntia, e creio que o caso mais recente desse tipo de coisa (onde mais vale a quantidade de matérias e a velocidade das mesmas, ao invés da qualidade da informação), aconteceu com a morte do astro pop Michael Jackson. Incrível como, na ânsia de deixar seus concorrentes para trás, os portais noticiosos (principalmente eles), davam a todo momento informações sem fundamento, baseadas em “boatos”… O mais incrível, entretando, é o modo passivo pelo qual nós, leitores, aceitamos esse tipo de atitude.

    Hoje em dia, se nós entrarmos em vários sites diferentes, lermos vários jornais distintos, as chances de encontrarmos as mesmas pautas são imensas. Claro, existem aquelas que devem ser noticiadas, que são de grande importância aos leitores, mas, além delas, o que encontramos é um emaranhado de repetições. Creio que dentro deste contexto, do qual nós fazemos parte, ter um bom texto é incrivelmente necessário. Não apenas nas pautas que requerem mais afinco e trabalho, mas como também nas mais clássicas e do dia a dia.

  3. “Quem souber contar histórias sai na frente” – acho que as pessoas se apegam aquele texto no qual podem se identificar.

    Não adianta só dar a notícia rápida, resumida ao máximo para ocupar menos espaço. Quem procura informação rápida lê as notícias na internet mesmo, não custa nada e é constantemente atualizado.

    Mas quem lê quer encontrar o máximo de informações, quer uma história bem contada, e quer saber até que ponto a notícia afeta a sua vida pessoal.

    1. Identificarmos que o jornalismo mudou com o avanço das novas tecnologias já é excelente! Mas resta saber o que vamos fazer com isso. Muito legais todos os retornos e a discussão, como viram, só está começando…

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